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Aziz é salvo por um voto - 14/7/2004
Erika Klingl - Da equipe do Correio
Correio Braziliense

BRASIL

EXPLORAÇÃO SEXUAL

Graças a uma articulação de última hora, o vice-governador da Amazônia tem o nome retirado da lista de 249 indiciados por CPI

Uma manobra política livrou o vice-governador do Amazonas, Omar Aziz (PFL), da lista de indiciados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual. O nome dele era citado junto com outros 249 políticos, empresários, juízes, médicos e pastores evangélicos. Bastante emocionada, a relatora da CPI, deputada Maria do Rosário (PT-RS), disse que a alteração no texto fragiliza a luta da comissão, que durou mais de um ano. ‘‘Confesso que fiquei preocupada com o resultado. Foi um desmerecimento do relatório’’, afirma.

  A movimentação dos aliados do político amazonense começou na última quinta-feira, quando foi aprovado o texto-base do relatório da CPI. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que não era da comissão até a última semana, apresentou um destaque pedindo a retirada do nome do conterrâneo, sob a alegação de que a comissão não havia conseguido recolher informações suficientes para comprovar a ligação de Omar Aziz no crime de exploração sexual de menores. ‘‘Acreditaram no acusado e não na vítima’’, criticou a relatora.

  Ontem, o pedido do senador foi aprovado. Mas a votação não foi simples. Sete parlamentares votaram a favor do texto integral e contra o vice-governador, e outros sete foram contra o relatório e a favor do destaque do senador Arthur Virgílio. Nesses casos, o voto de minerva cabe ao presidente da comissão. A vitória de Maria do Rosário estaria garantida, mas a presidente da CPI, senadora Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE), está no hospital Einsten, em São Paulo, para exames. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) votou no lugar dela e apoiou o político amazonense.

  O senador Arthur Virgílio disse que tinha convicção da inocência de Aziz. ‘‘Eu não preciso chorar para manter as minhas convicções. Tenho certeza que defendi um inocente’’, afirmou. ‘‘Optei pela retirada do nome, pois há dúvidas sobre a acusação do vice-governador e quero evitar injustiças’’, disse ele, sob a vaia de membros de organizações de defesa de crianças e adolescentes que estavam presentes. O relatório final da CPI será enviado ao presidente do Congresso Nacional, José Sarney, que deverá encaminhar as denúncias ao Ministério Público e autoridades competentes. Maria do Rosário está certa de que os procuradores do Amazonas continuarão a investigação.
  
Acusação

Omar Aziz (PFL) foi acusado pela CPI de participar de um esquema de aliciamento de menores junto com uma cafetina chamada Cris que atuava em Manaus. Em depoimentos sigilosos tomados pelas parlamentares no Amazonas, a mãe de uma adolescente denunciou a exploração de sua filha, quando esta tinha apenas 14 anos.

O depoimento foi confirmado pela própria menina dias depois em Manaus. A jovem relatou que foi coagida a se submeter a programas sexuais mediante pagamento e foi mantida em cárcere privado. Acusado de suposto envolvimento sexual com a jovem, Aziz nega os fatos e se diz aliviado, mas triste com o ocorrido. ‘‘Ao retirar meu nome foi feita justiça’’, comentou. ‘‘Um dia antes do tal encontro e de a garota ter feito a acusação recebi a notícia de que minha filha estava doente’’, lembrou. ‘‘Eu estava no hospital com ela, que faleceu duas semanas depois. Como eu poderia ter saído com a menina se estava no hospital?’’

 
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