Algumas igrejas evangélicas já aceitam, e até oferecem, o preservativo. A igreja católica é a favor da abstinência e da fidelidade e discorda publicamente do uso do látex. Segundo pesquisa de comportamento, 80% da população sexualmente ativa se diz religiosa. Como considerar os valores religiosos e avançar na prevenção das DST/aids? As religiões podem trabalhar em parceria e ajudar nesse desafio?
Mensagem de boas vindas e provocação inicial ao debate
Todos e todas sejam bem vindos(as) a esta sala de discussão do Prevenção na Rede Fórum Virtual Sobre DST/AIDS. Sou o Moderador 2 e vou acompanhar diariamente os trabalhos da sala. Além das questões que já temos no resumo de apresentação da Sala, pensamos em iniciar com mais uma provocação.
Recentemente o Papa criticou na África o uso da camisinha para prevenir a aids (veja em http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2009/03/17/ult1807u49266.jhtm). Por outro lado, algumas igrejas evangélicas vêm distribuindo camisinhas em seus cultos (veja em http://www.midiaindependente.org/pt/red/2009/03/443214.shtml). O que os lideres religiosos dizem ou fazem de fato influencia a prática sexual de seus fiéis? Qual sua opinião?
Bom debate para toda gente.
Moderador Dois
Métodos de Prevenção e a Igreja
Respeitar como a religião independente de denominação trata o assunto da vida humana de acordo com seus princípios e valores intrínsecos e peculiares geralmente baseados na Bíblia, também é uma forma de não discriminar, de não agir de forma preconceituosa. A igreja hoje só é aceita e procurada e isso ninguém confronta ou faz propaganda e também não aparece na mídia, quando ela faz a assistência quando já está instalado o problema, seja desde o alcoolista que busca a recuperação, a aceitação e uma oportunidade, ao doente de Aids em estágio terminal que busca consolo, conforto e alívio da culpa por ter levado uma vida desregrada. Quando está chegando a "hora" da pessoa, independente do que ela professou ou não, do que ela acreditou ou combateu, ela deseja partir e ir para o "Céu". E cada um tem o seu conceito de "Céu". Eu trabalho com aconselhamento a 17 anos e sei o que estou dizendo.
Se a igreja trabalha a Prevenção utilizando a mensagem da: fidelidade conjugal e abstinência, vamos deixar ela fazer o seu papel, também são formas de Prevenção. Temos que respeitar todas as formas de Prevenção e não combater, pois isso é um atraso para combater e reduzir a incidência das DST/HIV e Aids no mundo.
Cada um com seus princípios, valores e livre arbítrio vai adotar, escolher e praticar o que lhe convier.
Nenhum grupo na hora "H" vai estar lá para presenciar qual método foi adotado em particular.
É algo pessoal e a escolha é de cada um. É preciso auxiliar na conscientização, na informação e na motivação no que se refere a prevenção para reduzir e quem sabe um dia erradicar as DST/HIV e Aids.
O importante é adotar um método. O que não pode e não deve ser feito é não adotar nenhum método.
Mas, vamos respeitar todos os métodos porque lá na frente um vai precisar do outro.
Nunca ninguém poderá dizer: "desta água nunca beberei".
Solidariamente,
Neusa Maria Alcântara
www.lacosdesolidariedade.org
neusa64
Igreja evangélica
A oferta por preservativo pela igreja evangélica, vale ressaltar, que é para pessoas casadas, isso não quer dizer que ela é contra a abstinencia.
Resposta à Michelle
Prezada colega,
não sei se entendi bem mais achei seu comentário um pouco contraditório...FAZER SEXO...PECADO??? Não concordo com tal afirmação, afinal é através do sexo que acontece a procriação, e pelo que já foi dito anteriormente esse é um ponto que o catolicismo prega...quanto ao fato do "impedimento" de uma nova vida, se for assim vários outros métodos, contraceptivos por exemplo, haverão de ser condenados pela igreja católica e por quem mais estiver de acordo com essas afirmações.
Igreja Católica x Camisinha
Como estamos debatento um assunto tão polêmico coloco em discussão, O uso do preservativo que é terminante proibido pela Igreja Católica e por também outras religiões. O preservativo, segundo a própria Igreja, altera a ordem natural. A Igreja reafirmou este princípio em repetidos documentos. Apresento aqui apenas um texto da Humanae Vitae, do Papa Paulo VI: “A doutrina da Igreja está fundamentada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e significado procriador” ( nº 12 ). Ela afirma assim que a camisinha é um meio de "impedir" o nascimento de uma nova vida. Porém a sociedade tem um outro ponto de vista em relação a isso, pois a camisinha é um meio de prevenir a contaminação das DST's, mas para a Igreja isso é um incentivo para que as pessoas faça sexo, sendo que isso é um pecado. Mas como é o caso da África onde a contamição de AIDS é muito grande, a Igreja tem como base a abstinencia das pessoas. Já Igreja evangelica não segue o mesmo processo da Igreja Catolica distrbuindo camisinhas para a prevenção das doenças.
Conflito Religiao x Prevenção
No meu ponto de vista não se deve proibir o uso da camisinha. Os tempos mudaram e as sociedades tendem a acompanharem as mudanças,atualmente a prática do sexo entre casais e entre solteiros já virou uma normalidade, por este motivo há um aumento considerável de DST's e casos de gravidez na população. Por isso a igreja não deve proibir ou criticar o uso de qualquer preservativo, pelo contrário, devem ajudar o SUS a promover a saúde, para futuramente obter uma população mais conciente e responsável. Promovendo a saúde, as doenças irá consequentemente diminuir. No sec.XXI o ato sexual já virou algo normal entre os jovens até a terceira idade. Precisamente combater a AIDS,e a melhor forma é a concientização!
Conflitos: religião x prevenção
Na minha opinião não se deve proibir ou criticar o uso da camisinha. Em qualquer ocasião que seja a camisinha é indispensável pra prevenção de doenças. É muito contraditório uma sociedade influenciada pela igreja ser tão a favor do uso da camisinha e terem a consciência de que assim pode-se fazer um mundo sem doenças enquanto a igreja, super influnte na sociedade ser contra. Se a igreja acredita mesmo nas vontades de Deus, não seria um objeto de plástico que impediria Deus de gerar uma criança. É necessário mudar a visão da igreja em relação a isso.
Prevenção e religião: comflitos ou contribuições?
Bom, eu discordo da opinião do Papa pelo fato de que na África, a maioria das pessoas vão a óbito pelo simples fato de terem "pegado" a doença (AIDS). Devem sim receber e fazer o uso do látex para amenizar este conflito. Mesmo que seja um adolescente ou um jovem, não o induzindo a começar a sua vida sexual mais cedo(vai de cada um) mas, o ensinando ou promovendo uma boa saúde a eles. Não tem como esssas pessoas pararem de terem relações sexuais com seus parceiros ou parceiras é uma natureza, é normal e é um fato.
Para que possam ter uma vida mais saudável e não contaminando outras pessoas em seu redor, devem ser distribuídos alguns produtos a esses povos fazendo campanhas, aconselhamento e os ajudando a terem uma vida melhor.
Acredito que tudo deve ser feito da maneira correta. Cada um tem sua religião, sua crença e devemos respeitar isso.
Respeitar a liberdade pessoal
Colegas: estas ultimas postagens das internautas Kekinha, Daniele, Jessica, Michele, Alunas e Neusa nos esclareceram vários pontos, e enfatizaram que devemos respeitar a liberdade de escolha dos indivíduos.
Prevenção e religião.
Como já foi dito em alguns comentários anteriores, acredito que o fato da igreja católica não estar a favor do uso de preservativo vem do fato da mesma pregar que, o uso do sexo deve ser somente para procriação. Mas até onde isso está contribuindo para o bem-estar populacional? Já que estudos comprovam o aumento espantoso do número de pessoas infectadas com aids. Ao meu ver pontos contribuintes para isso seja, menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV, ou seja, todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Concordo quando alguns colegas disseram que as pessoas estão partindo para outras religiões que não seja o catolicismo já que nas outras elas têm o apoio para essas questões. Concordo também com o colega Bruno Medeiros quando ele diz que uma boa saída para a provável solução deste problema seja a parceria de ONG’s com as igrejas, quem sabe havendo a possibilidade das mesmas obterem informações mais aprofundadas sobre o assunto mudem seus princípios.
Prevenção e religião.
Como já foi dito em alguns comentários anteriores, acredito que o fato da igreja católica não estar a favor do uso de preservativo vem do fato da mesma pregar que, o uso do sexo deve ser somente para procriação. Mas até onde isso está contribuindo para o bem-estar populacional? Já que estudos comprovam o aumento espantoso do número de pessoas infectadas com aids. Ao meu ver pontos contribuintes para isso seja, menor tendência ao uso de preservativos, iniciação sexual precoce, menos interesse pelo teste para detectar o HIV, ou seja, todas características que dificultam a prevenção e o acesso mais rápido ao tratamento. Concordo quando alguns colegas disseram que as pessoas estão partindo para outras religiões que não seja o catolicismo já que nas outras elas têm o apoio para essas questões. Concordo também com o colega Bruno Medeiros quando ele diz que uma boa saída para a provável solução deste problema seja a parceria de ONG’s com as igrejas, quem sabe havendo a possibilidade das mesmas obterem informações mais aprofundadas sobre o assunto mudem seus princípios.
prevenção e religião
Bem, este assunto ainda vem sendo um assunto com bastante conflito na igreja católica principalmente, mais ao meu ver a igreja está bem atrasada nos assuntos dos dias de hoje, nos tempos de hoje as pessoas estão tendo relações cada vez mais cedo mas não por não terem conhecimento porque hoje o que mais vimos são campanhas de prevenção, nas escolas na televisão etc...
Mais ainda teriam que ter mais campanhas a favor da prevenção, apesar de muitas veses a falta de prevenção esta correlacionado com drogas e bebidas infelismente.Temos ainda que lutar muito contra a ideias como as da igreja e os jovens se conscientizarem que estão brincando com suas próprias vidas.
A religião e a prevenção das
A religião e a prevenção das dst´s se contrapõem em suas linhas de pensamentos.Pois a igreja Católica proibe o uso de metódos contraceptivos sendo esta a que mais inflencia a população ocidental.Muitos fieis aderem aos preceitos Católicos fazendo com que aumente a disseminação das DST´s principalmente aids e sífilis.
Ocorre uma luta entre as ideias de prevenção e os ideais cristãos e isso acaba gerando conflitos entre a população e a prevenção da saúde principalmente no Brasil onde a igreja possui grande força sobre a população.
Prevenção e religião: conflitos ou contribuições?
Me considero católica, mas crítica em relação a algumas posições tradicionais da Igreja, principalmente no que se refere a Saúde, por isso gostaria de provocar alguns questionamentos em relação a assunto supracitado:
1- Por que será que a Igreja católica está perdendo seus adeptos?
2- Ao homem foi dado o livre arbítrio. Será que seus fieis estão se sentindo pressionados com as posições da Igreja católicas e recorrem a outras que os acolhe?
3- Em relação ao número crescente dos casos de portadores do HIV, e mesmo assim a Igreja contesta e proíbe formas de prevenção. E a preservação da vida tão pregada por ela?
Aproveito para parabenizar as organizações (Visão Mundial, Diaconia, Koinonia e Pastoral da Aids) pelo trabalho educativo preventivo realizado.
Gorete Pinheiro
Prevenção e religião: conflitos ou contribuições?
concordo com a Maria
se o homem tem livre arbitro pq a igreja interferir nessa escolha?
Ate pq é melhor fazer sexo com prevençao do q fazer sem!
Esta certo que a igreja catolica passa a sua doutrina, em que eles valorizam a procriaçao e o sexo apenas para essa funçao; mas ja estamos em tempos modernos, onde esse ponto de vista mudou, e hoje cada vez mais jovens tem uma vida sexual ativa precoce e nao ha como evitar isso, o melhor a se fazer é se prevenir!
Kelly Christina M Vieira
Acredito que o fato da igreja
Acredito que o fato da igreja católica estar perdendo seus fiéis não tem nada a ver com as DST/AIDS, apesar de não apoiarem o uso do preservativo e pílulas anticoncepcionais.
O livre arbítrio
Maria Gorete, Kelly Christina e Fátima, e demais colegas da sala: as postagens de vocês três enfatizaram um tema bastante importante para as campanhas de prevenção: o livre arbítrio dos fiéis frente às orientações de suas confissões religiosas. Como explorar isso em termos de prevenção? Como se dirigir às pessoas religiosas, nas campanhas, dizendo a elas que, acima do pertencimento religioso delas, está seu livre arbítrio? A questão me parece importante, mas de abordagem muito complicada.
Casamento entre prevenção e religiao
Fico pensando que estamos muito preso a questoes dogmaticas e esquecendo de questoes mais praticas. O ideario religioso leva o individuo a viver conforme sua concepcao, dai pensar que aquilo que voce ouve, le ou pensa é levado ao pé da letra é outra questao. A grande maioria dos portadores ja tiveram um pé na igreja ou na vida religiosa, e no entanto se infectaram. O papel da religiao é o de acolher e indicar o caminho para o fiel, e inclusive apontar pra ele que se por acaso houver uma escapada no meio do caminho é importante estar protegido. Nao vejo dificuldade em aconselhar minhas ovelhas a fazerem uso de preservativo e terem praticas mais seguras. Nao podemos viver na hipocresia de acreditar que dentro da igreja tem santo e fora tem pecador. Nossas ovelhas quando saem do servico religioso voltam pra suas casas e continuam vivendo sua vida pessoa e social até o proximo final de semana e o que fazem no interregno?
Questões dogmáticas e questões práticas
Renato e colegas desta sala: esta postagem do Renato é bastante instigante, assumindo que há uma distância entre o que se acredita como certo, e o que no dia a dia da vida vamos fazendo. Há uma distância, na vida de todos nós, entre crenças e valores, e entre as atitudes "práticas" que vamos tomando no enfrentamento do dia a dia, frente a outras pessoas, frente a situações que nos desafiam. O que os demais acham disso?
Prevenção e religião: conflitos ou contribuições
As Igrejas têm um papel muito importante na promoção da dignidade de vida de todas as pessoas e do ecossistema em geral. Não é de se esperar outra coisa, senão que cada uma delas se envolva com a profunda reflexão sobre os problemas e realidades próprias de seu tempo. As suas tradições e doutrinas têm um papel fundamental na construção da identidade de seu grupo de fiéis. Contudo, os dogmatismos podem gerar equívocos ao confundir processos histórico-culturais com as verdades fundantes da fé. Nesse sentido, a dinâmica da vida precisa ajudar as Igrejas a retomarem seus pontos polêmicos para que elas se encontrem com os seus marcos maiores que são a defesa da dignidade e do direito a uma vida plena de toda a pessoa humana. Em tempos em que a Aids continua ceifando muitas vidas é preciso revisitar as tradições, as doutrinas e os saberes sagrados de cada uma das religiões para encontrar a resposta que se precisa para o momento atual. Sabendo que todas as palavras e formulações que somos capazes de elaborar revelam a humanidade, portanto limites e contexto, de cada um de nós que compõem as Igrejas. Nossa linguagem explicativa da realidade e dos enfrentamentos aos desafios serão sempre aproximações tímidas diante de Deus, mas necessárias, quando estamos em espaços de liderança e somos formadores de opinião.
Tânia Mara Vieira Sampaio
Os príncipios Cistãos não mudam.
Boa noite,concordo que as religiões têm um papel fundamental na prática social, contudo as verdades de fé não podem ser desconsideradas se assim fosse que validade teria uma religião que muda os dogmas de acordo com as mudanças sociais?Como poderia exigir de seus fiéis qualquer postura se ela própria não seria fundamentada?Qualquer religião séria e comprometida com o ser humano possui princípios de fé que defende a dignidade humana seguindo os desígnios de Deus.Ao homem foi dado o livre arbítrio.
Lucimara Garcia
O livre arbítrio
Lucimara e demais colegas da sala: as verdades da fé são sólidas, mas ao homem foi dado o livre arbítrio. Gostaria de entender melhor como podemos pensar o livre arbítrio na luta pela prevenção da aids. Não queremos que as pessoas deixem de acreditar em Deus, e nem queremos que elas deixem de pertencer a sua igreja. Mas como seria fazer uso do livre arbítrio, respeitando o pertencimento religioso, e levando em conta as diretrizes das políticas públicas?
Pensar em situações concretas
Prezada Tânia e demais participantes: Gostaria de sugerir que discutissemos a afirmação feita pela colega Tânia em sua postagem acima: "Em tempos em que a Aids continua ceifando muitas vidas é preciso revisitar as tradições, as doutrinas e os saberes sagrados de cada uma das religiões para encontrar a resposta que se precisa para o momento atual." Será que podemos pensar em situações concretas, em exemplos, em impasses e debates onde se apresenta esta necessidade, colocada pela Tânia, de "revisitar tradições"? As tradições se modificam, frente aos desafios da realidade. O que podemos propor às diferentes religiões para que repensem suas tradições frente aos desafios da AIDS nos dias de hoje?
Pensando em Situações Concretas
Considero bastante interessante a colocação de Tânia sobre a reflexão de tradições e saberes no âmbito religioso, tendo em vista a problemática da Aids. Acredito que um foco importante de mudança deve ser na postura que as religiões têm sobre a Aids. Essa postura é reflexo de um profundo desconhecimento desse problema e de soluções. Na medida em que centros religiosos (em nosso contexto majoritariamente cristão) se propoem a ser espaços de apoio e reflexão sobre Aids, podemos encontrar algumas saídas para esse dilema, tendo em vista o papel importante desses centros no suporte social, espiritual e emocional de pessoas soropositivas ao HIV. Não acredito que o foco principal seja em modificar princípios religiosos, pois historicamente reconhece-se que esses princípios tem contribuído para a preservação da vida e promoção de saúde; contudo, a religião não pode se fechar aos dilemas da sociedade em virtude de suas tradições, mas deve propor diálogo aberto e reflexivo, promovendo em seus espaços verdadeiros diálogos e ações preventivas com a sua comunidade.
postura de diálogo
Bruno e colegas: como podemos promover espaços de diálogo com as religiões, em cada local, em cada município? Temos que avançar em proposições, para que a o trabalho conjunto aconteça.
Postura de diálogo
Acredito que um bom caminho seja através ONGs. Por exemplo, parcerias entre igrejas e ONGs poderão tanto auxiliar esses espaços, como dialogar mais com seus membros e comunidade sobre HIV. Acredito que o trabalho com ONGs pode tanto estimular um lidar de forma mais direta com a problemática do HIV/AIDS como favorecer uma abertura de diálogo entre comunidade e igreja sobre prevenção com a população geral.
Participação em defesa da vida.
Caros interlocutores,
Considero muito tímido o discurso HIV/AIDS em nossas igrejas. O que vocês acham?
Lucimara Garcia
Timidez na abordagem das DSTS pelas igrejas
Lucimara e colegas: sim, também acho que a timidez tem sido a marca do envolvimento das igrejas com as questões do HIV/AIDS. Em todas as confissões religiosas temos grupos de pessoas trabalhando a favor da prevenção, em parceria com os programas de aids, ou de modo autônomo. Mas são iniciativas ainda muito pouco visíveis, e acho que podemos dizer que pouco ousadas, com raras exceções.
Como fazer para se aproximar destes grupos religiosos, e propor a eles uma ação de maior impacto?
Visibilidade
O GT em São Paulo tem facilitado a aproximação entre os Programas de DST/Aids, as ONGs e os grupos religiosos. Hoje, como temos algumas tradições religiosas já no grupo as pessoas chegam com menos receio porque veem seus pares ali. O tom de respeito também colabora.
Um fruto que começou no ano passado é a criação de uma Rede de sacerdotes que vivem e convivêm com o HIV.Fizeram um primeiro encontro onde foram igrejas de diversas tradições e religiões de matrizes africanas. Acho que este espaço será interessante para agregar e propiciar discussões e visibilidade.
Convivendo com o HIV no ambiente religioso
Paula e colegas: o exemplo que Paula nos traz, de criação de uma Rede de sacerdotes que vivem e convivêm com o HIV, me estimula a pensar: que relatos temos de pessoas que convivém com o HIV de modo explícito em seu ambiente de pertencimento religioso? Que outras experiências existem?
COOPERAÇÃO DAS ENTIDADES RELIGIOSAS NA PREVENÇÃO DAS DST/AIDS
EU ACREDITO QUE UMA PARCERIA COM AS ENTIDADES RELIGIOSAS , VAI SIM COOPERAR NA PREVENÇÃO DAS DST/HIV/AIDS. BASTA UTILIZAR UMA BOA ESTRATÉGIA NA ABORDAGEM CONSIDERANDO OS ASPECTOS DE CADA RELIGIÃO , POIS A BASE DE TODAS É A PRESERVAÇÃO DA VIDA , ATRAVÉS DO AMOR-PRÓPRIO E DO AMOR AO PRÓXIMO.
VENHO OBSERVANDO COLOCAÇÕES INDIVIDUAIS DE MUITOS REPRESENTANTES RELIGIOSOS EM VÁRIOS ASSUNTOS INCLUSIVE DST/AIDS. CLARO QUE NÃO VÃO CONCORDAR PUBLICAMENTE O USO DE PRESERVATIVO , QUE É CONTRA A TUDO QUE PREGAM .MAS EM UM OUTRO CONTEXTO SIM. NÃO PODEMOS FAZER DO USO DO PRESERVATIVO UM ASSUNTO BANAL DE MÍDIA , POIS CAIRÁ NO ESQUECIMENTO DO PROPOSITO DE SEU USO ( A PREVENÇÃO ) .
COOPERAÇÃO DAS ENTIDADES RELIGIOSAS NA PREVENÇÃO DAS DST/AIDS
OBSERVANDO SEU COMENTÁRIO O QUE VOCÊ DIZ É MUITO RELEVANTE, MAIS PRECISAMOS DO QUE REALMENTE PARA CHEGAR A ESSES QUE SE DIZEM ZELAR PELA INDOLE DA FAMÍLIA, DA MORAL INDIVIDUAL? NA VERDADE É PRECISO QUE ESSES QUE PROPAGAM ESSA IDEOLOGIA PENSEM TAMBÉM EM SERÁ A VIDA DESSE SER APÓS A INFECÇÃO (SEI PODERÁ COM OS RECURSOS CERTOS VIVEREM MUITOS ANOS) MAS NÃO CUSTA NADA PREVENIR. VOCÊ UM DIA DESSE NA TV O DEPOIMENTO DE UMA AFRICANA QUE DIZIA TER PEDIDO PERMISSÃO AO PADRE PARA QUE ELA PEDISSE AO MARIDO QUE SE PREVENISSE DURANTE O ATO SEXUAL POIS ELE PODERIA CONTAMINÁ-LA E O PADRE NÃO A DEIXOU APENAS ACONSELHOU SER ELE SEU MARIDO E SENDO ASSIM OS DOIS ERAM UM. POR FIM HOJE ELA TEM AIDS E ELA CULPAVA O PADRE. QUEM NÃO VIU UM PADRE QUEIMANDO MILHARES DE CAMISINHAS NA AFRICA. O QUE AQUILO SIGNIFICAVA?
O que propor frente a casos concretos?
Miquéias e colegas de debate: gostaria que relatassem mais casos concretos, onde as urgências da AIDS se defrontaram com os dilemas religiosos. Como pensar em saídas que respeitem a tradição religiosa, e ao mesmo tempo não permitam que os indivíduos fiquem vulneráveis à infecção pelo HIV? Como ofertar camisinhas, sem banalizar seu uso?
Desafios permanentes...
Caros colegas,
Acredito que umas das possibilidades de trabalharmos melhor a relação entre a religião e a vulnerabilidade à infecção pelo HIV é a aproximação com os líderes religiosos, para formarmos pacerias. Temos muitos líderes sensíveis com a problemática, que até falam durante os cultos ou missa da importância do uso do preservativo. Neste fórum já foram citadas várias experiências desta parceria. Mas acredito que nós profissionais também podemos no nosso contato direto com os usuários contribuir para a reflexão da problemática. Infezlimente percebo que em Roraima alguns profissionais passam dispercebido sobre isso por vários motivos (não gostar de abordar o tema, não achar importante,...). Tivemos recentemente um profissional de saúde que se recusou a distribuir preservativo por influência da sua religião. E a ética profissional? E a neutralidade? E nos Estados de vocês, como é?
Aproximação com as religiões e seus líderes
Tatiana e colegas: acho que Tatiana levantou uma questão boa para pensar, ou seja, que estratégias podemos usar, agentes de saúde, funcionários dos programas de aids, enfermeiros, enfermeiras, médicos, etc, para aproximar as lideranças religiosas de nossas ações? Alguém tem experiências concretas para citar? Aqui no forum já foi citada o grupo de trabalho aids e religiões vinculado ao programa de aids do estado de São Paulo. No Rio Grande do Sul já foi realizado um primeiro seminário intitulado Aids e Religião. Em que outros locais as autoridades de saúde chamaram as igrejas e lideranças das religiões para dialogar?
Diálogo sempre
Acredito muito no diálogo, e é isso que estamos tentando fazer aqui em Recife. Criamos em 2007 (Coordenação Municipal de DST/Aids do Recife) um GT Ecumênico, cujo o objetivo é se discutir DST/Aids nas comunidades religiosas. Como fruto desse GT, conseguimos realizar duas oficinas de sensibilização, uma com líderes de igrejas evangélicas e outra com babalorixas e ialorixas (candomblé) e agora estamos articulando um grande seminário.
Entendemos que só a existência de um projeto a longo prazo diminuirá essa distância, uma vez que as lideranças sensibilizadas seriam os ícones para alcançarmos as lideranças macro. Não é fácil, mas já é um começo.
Uma Visão Otimista
Muito interessante o seu questionamento, Miquéias. Como alcançaremos as Igrejas/ Comunidades de Fé, cujo papel julgamos tão relevante no comportamento e desenvolvimento sexual do indivíduo? Como construir estratégias de abordagens que considerem “os aspectos de cada religião”(conforme levanta a Cynthia)?
Atualmente, saltam aos nossos olhos experiências desastrosas como a socializada por Miquéias. E é importante que às observemos e natural que nos indignemos. Porém, gostaria de propor a construção de estratégias de diálogo com essas Organizações baseada em seus potenciais.
Hoje, podemos encontrar experiências exitosas de trabalho com a temática em ambientes religiosos. Algumas delas são:
- Visão Mundial, com o Projeto “Canais de Esperança: Ações solidárias em HIV/Aids”.
- Diaconia, com o Projeto “Aids- Igrejas Solidárias”
- Koinonia, através do Programa “Saúde e Direitos”
- Pastoral da Aids
Estes são apenas quatro de muitos exemplos de experiências em articulação, mobilização e sensibilização das Organizações de Fé para a discussão da temática HIV/Aids de forma aberta e contextualizada, que acontecem em nosso país. Me arriscaria a dizer que é essencial que as consideremos enquanto importantes fontes de conhecimento para a construção de um diálogo religioso e inter-religioso em prol da prevenção e da vida.
Karla Uckonn
Gostaria de acrescentar a
Gostaria de acrescentar a lista da Karla a ONG GVTR , Grupo de Valorização do Trabalho em Rede e a Rede Afro-brasileira e Saúde ambos ligados as religiões de matriz africana. A ONG GVTR tem uma grande atuação no Estado de São Paulo fazendo muitas parcerias com os Programas Municipais de DST/Aids e a Rede Afro-brasileira tem atuação nacional. Fazem discussões diversas sobre saúde mas as questões de DST/Aids sempre estão presentes.
Um abraço a todos
Relato de experiências concretas
Paula e colegas: alguém poderia dar mais detalhes de como atuam em especial a ONG GVTR, na interface entre religiões e políticas de prevenção?
Narrando experiências concretas
Karla e demais colegas: acho que precisamos aprofundar as experiências concretas. Como foi possível, nas experiências que você cita (Pastoral da Aids, Diaconia, Visão Mundial, Koinonia) avançar em proposições que, ao mesmo tempo que respeitam os valores religiosos e as tradições, permitam a prevenção da AIDS?
religião e prevenção
omentário parte 1.
Caros companheiros (religiosos ou não) da prevenção.
Precisamos ter em mente que estamos TODOS do mesmo lado: ACABAR COM O HIV e demais pragas existentes (virus, bactérias, etc...) Quanto às pragas que acometem/influenciam a moral, os valores, o pensar e agir humano, estas levarão muito tempo (se é que serão extintas). A vaidade humana (inclusive amplamente pregada pela igreja (seja qual denominação for) faz parte destes mesmos pregadores. Somos todos seres humanos. Faz parte. Portanto, iremos perceber um grande interesse em "puxar a sardinha para sua brasa". A igreja não poderá ir contra sua interpretação bíblica, do contrário estará abrindo brechas para ter que rever suas crenças, seus valores, etc. e assim sujeitar-se a outras denominações, credos que estão mais avançados quanto ao crescimento humano nesta vida. (So podemos realmente tratar desta vida, as outras são teorias não comprovadas).
Pois bem, então porque não concentrar no que realmente interessa: Orientarmos, apoiarmos, sermos cuidadores de nossos semelhanttes a buscarem cuidar de si, de seus parentes/descendentes, de seu meio social.
Nossos lideres religiosos podem sim e o fazem, influenciam comportamenos, ditam comportamentos. Temos que levá-los a apreenderem sobre a realidade posta. Perceberem que sua pregação (compreensiva por sinal) está distante do que os fiéis querem com a Igreja. As pessoas estão perdidas, querem buscar o conforto espiritual sem deixar de praticarem seus prazeres terrenos. Em meio a este jogo de forças é que temos de atuar com nossas ações preventivas. Precisamos de todos envolvidos na causa. Principalmente a IGREJA, pois esta chega onde o Estado não consegue e não pode entrar (o comportamento entre 4 paredes).
abços
JC-brasil
JC_Brasil
Queremos mesmo a verdade?
Caros interlocutores,
Aí vai um texto para ajudá-los na sua reflexão sobre o tema da relação entre religião e prevenção da Aids. Percebo que o nosso moderador deseja que haja um questionamento que toca muito a posição da Igreja católica, sem entretanto esquecer outras comunidades cristãs. Interessante perceber que, de fato, desejamos todos o mesmo fim, porém não estamos totalmente de acordo com os meios. Deve-se atentar a este ponto, pois isto concerne a elementos básicos da ética, como por exemplo não poder justificar todo e qualquer meio, mesmo quando a finalidade é boa.
Só para completar o que os srs lerão, o texto do sr. Edward Green pode ser encontrado em inglês. E para um debate mais sério promovido por especialistas católicos, seria necessário procurar o verbete "Sexo seguro" do sr. Jacques Sueaudau, in Lexicon. Contudo este trabalho científico, bastante documentado com estatísticas e pesquisas, não se encontra em qualquer livraria, mas somente nas livrarias católicas. Evidentemente, não é um livro acessível a todos. Por isso há também uma simplificação que é passada pelos pastores da Igreja. Se há uma dificuldade para aqueles que se dizem católicos aceitarem a posição da Igreja, em grande parte se deve à massiva propaganda do grande mito do sexo - ou da prevenção da gravidez - cem por cento seguro veiculado pela mídia, caricaturando a mensagem da Igreja e o Papa, como se estes estivessem desprovidos de base científica. Ora, para contrariar nosso querido ministro da saúde que não cessa de repartir que estas questões não são questões religiosas mas de saúde, basta ler o que um cientista diz do assunto...
"O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS
Página do Dr. Edward Green, no site da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos
"Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África."
Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.
Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é "humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento". Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.
Dr. Edward Green, com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.
O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. "Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV", explica.
Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. "O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos 'risco compensação'".
O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.
O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros - considerado um grupo de risco - a serem fiéis às suas esposas.
Respeitar a cultura local
Rafael e demais colegas desta sala de discussão: a partir desta postagem, há muitos elementos que podemos discutir. Gostaria de pensar o caso do Brasil a partir de algumas informações da postagem. A primeira delas refere-se a fidelidade, como podemos pensar este valor social, em tempos de casamentos de duração mais curta? Podemos pensar em fidelidade ao parceiro atual, por um período? Ou pensamos na fidelidade como um valor para toda vida, em relações afetivas de longa duração? NO Brasil, os dados dos recenseamentos mostram que os indivíduos continuam se casando, mas estes casamentos tendem a ser mais curtos, de menor duração. Uma pessoa pode ter três ou quatro relações afetivas ao longo da vida, de duração mais curta do que um casamento "de antigamente". Como podemos pensar então a fidelidade em nosso país? Poderiamos ter campanhas valorizando a fidelidade, e ao mesmo tempo reconhecendo que as relações podem esgotar-se, e o indivíduo então poderia iniciar uma nova relação, num novo ciclo de fidelidade? Como associar, de modo eficiente, fidelidade com prevenção, no caso brasileiro?
Queremos mesmo a verdade?
Caros interlocutores,
Aí vai um texto para ajudá-los na sua reflexão sobre o tema da relação entre religião e prevenção da Aids. Percebo que o nosso moderador deseja que haja um questionamento que toca muito a posição da Igreja católica, sem entretanto esquecer outras comunidades cristãs. Interessante perceber que, de fato, desejamos todos o mesmo fim, porém não estamos totalmente de acordo com os meios. Deve-se atentar a este ponto, pois isto concerne a elementos básicos da ética, como por exemplo não poder justificar todo e qualquer meio, mesmo quando a finalidade é boa.
Só para completar o que os srs lerão, o texto do sr. Edward Green pode ser encontrado em inglês. E para um debate mais sério promovido por especialistas católicos, seria necessário procurar o verbete "Sexo seguro" do sr. Jacques Sueaudau, in Lexicon. Contudo este trabalho científico, bastante documentado com estatísticas e pesquisas, não se encontra em qualquer livraria, mas somente nas livrarias católicas. Evidentemente, não é um livro acessível a todos. Por isso há também uma simplificação que é passada pelos pastores da Igreja. Se há uma dificuldade para aqueles que se dizem católicos aceitarem a posição da Igreja, em grande parte se deve à massiva propaganda do grande mito do sexo - ou da prevenção da gravidez - cem por cento seguro veiculado pela mídia, caricaturando a mensagem da Igreja e o Papa, como se estes estivessem desprovidos de base científica. Ora, para contrariar nosso querido ministro da saúde que não cessa de repartir que estas questões não são questões religiosas mas de saúde, basta ler o que um cientista diz do assunto...
"O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS
Página do Dr. Edward Green, no site da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos
"Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África."
Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.
Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é "humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento". Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.
Dr. Edward Green, com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.
O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. "Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV", explica.
Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. "O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos 'risco compensação'".
O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.
O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros - considerado um grupo de risco - a serem fiéis às suas esposas.
Queremos mesmo a verdade?
Caros interlocutores,
Aí vai um texto para ajudá-los na sua reflexão sobre o tema da relação entre religião e prevenção da Aids. Percebo que o nosso moderador deseja que haja um questionamento que toca muito a posição da Igreja católica, sem entretanto esquecer outras comunidades cristãs. Interessante perceber que, de fato, desejamos todos o mesmo fim, porém não estamos totalmente de acordo com os meios. Deve-se atentar a este ponto, pois isto concerne a elementos básicos da ética, como por exemplo não poder justificar todo e qualquer meio, mesmo quando a finalidade é boa.
O texto do sr. Edward Green pode ser encontrado em inglês. E para um debate mais sério promovido por especialistas católicos, seria necessário procurar o verbete "Sexo seguro" do sr. Jacques Sueaudau, in Lexicon. Contudo este trabalho científico, bastante documentado com estatísticas e pesquisas, não se encontra em qualquer livraria, mas somente nas livrarias católicas. Evidentemente, não é um livro acessível a todos. Por isso há também uma simplificação que é passada pelos pastores da Igreja. Se há uma dificuldade para aqueles que se dizem católicos aceitarem a posição da Igreja, em grande parte se deve à massiva propaganda do grande mito do sexo - ou da prevenção da gravidez - cem por cento seguro veiculado pela mídia, caricaturando a mensagem da Igreja e o Papa, como se estes estivessem desprovidos de base científica. Ora, para contrariar nosso querido ministro da saúde que não cessa de repartir que estas questões não são questões religiosas mas de saúde, basta ler o que um cientista diz do assunto...
"O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS
Página do Dr. Edward Green, no site da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos
"Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África."
Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.
Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é "humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento". Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.
Dr. Edward Green, com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.
O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. "Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV", explica.
Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. "O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos 'risco compensação'".
O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.
O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros - considerado um grupo de risco - a serem fiéis às suas esposas.
Estamos do mesmo lado: isso basta?
JC_Brasil: sim, eu concordo, estamos todos do mesmo lado. Mas será que isto basta? Na hora de enfrentar concretamente os dilemas da prevenção, na hora de dar um conselho, na hora de encaminhar uma ação, será que temos todos a mesma compreensão?
Por outro lado, você diz que "Principalmente a IGREJA, pois esta chega onde o Estado não consegue e não pode entrar (o comportamento entre 4 paredes).". Será que os fiéis, entre quatro paredes, levam em conta mesmo o que dizem os líderes religiosos? Veja que algumas pesquisas mostraram que o indivíduo é católico praticante, mas usa a camisinha, mesmo sabendo que as lideranças da igreja católica desaconselham seu uso.
Sinto que estes são pontos em que precisamos refletir mais, e gostaria de contar com novas colaborações suas neste sentido.
Católicos e a eficácia do preservativo
Caro(a) moderador(a), gostaria rapidamente de lhe dizer que a repetição das minhas postagens não foram propositáis, mas sim um erro na minha conexão que indicava o não envio da mensagem.
A respeito de sua afirmação sobre o que dizem as pesquisas, seria bom termos às vezes um olhar um pouco mais crítico sobre esta ou aquela pesquisa. Pois quem é o católico praticante? Uma boa observação da vida de algumas comunidades católicas mostrará que há uma pequena minoria que realmente pratica dentre todos aqueles que se dizem católicos. Aproveito para derrubar uma falácia a respeito dos católicos, veiculada aqui entre outras: a Igreja católica não está perdendo fiéis, como se afirma com tanta facilidade. O número, em termos absolutos não pára de aumentar. Por outro lado, é o número relativo à população que diminuiu. Uma visita num domingo de celebração a algumas igrejas pode facilmente desmentir estas afirmações.
Quanto ao católico praticante, a experiência que tenho em contato com o verdadeiro católico é que ele acolhe o que lhe é transmitido por seus "líderes", e até debate o assunto. Contudo, mais uma vez contrariando o que alguns nesta sala afirmam, a Igreja não impõe seu pensamento e a forma como seus fiéis deveriam agir, deixando-lhe a liberdade, mas do que um simples livre arbítrio de escolher isto ou aquilo, para tomar decisões que realmente condigam com a dignidada da pessoa. Tais decisões livres, cada um deve descobrir progressivamente.
Por outro lado, também é preciso repetir que a força dos meios de comunicação e da publicidade em favor dos preservativos - e isto vai no sentido de uma de suas perguntas nesta sala - é tão grande, sem nenhuma consideração com a sua real porcentagem de eficácia, que a mensagem passa. Achei ousado da sua parte em questionar as propagandas que insistem na utilização do preservativo. Não deveríamos justamente analisar este ponto com mais acuidade?
Volto aqui àquilo que deveria ser o cerne deste debate, não só desta sala mais de outras também: não se pode fazer uma campanha com grandes investimentos em propaganda sem dizer ao grande público as reais possibilidades de eficácia do látex, e sem colocá-lo a par dos riscos que existem e que são provados por estudos - como já citamos na primeira postagem. Alguém falava de ideologia nesta sala a respeito do pensamento da religião - talvez católica somente... - nestas questões. Espero este tenha lido o texto por nós postado, a fim de se perguntar se afinal de contas esta ideologia, ou melhor, utopia não estaria mais numa informação limitada?
Tomar o exemplo de um outro país pode e deve nos ajudar. Haja vista que as culturas e raças não são tão estanques como se deseja. O homem é o homem em qualquer lugar! Em se falando de fidelidade mais ainda. Pois nada melhor que o continente Africano para tratar desta questão. Pode-se dizer que há novas tendências em relação à vida de casal, mas seria demasiadamente presunçoso querer que estas substituam modelos ditos antigos, que na verdade não são tão antigos assim em relação à história da humanidade. Deveríamos proceder a um outro tipo de pesquisa para tentar perceber se nas várias experiências conjugais na vida de um homem ou de uma mulher, eles se realizaram. O desejo de encontrar uma pessoa com quem partilhar a vida ainda é latente no coração dos jovens; e isto não tem nada a ver com o sonho da alma gêmea ou com o príncipe encantado! Acredito que todos os cristãos continuarão propondo este caminho como um caminho de realização plena. E se todos os meios de comunicação, que hoje não somente formam mas imprimem esta ou aquela opinião, realizassem uma grande publicidade em favor da fidelidade e da castidade, certamente poderíamos chegar a resultados como aqueles alcançados em alguns países da África, como por exemplo em Uganda.
Por outro lado, mesmo que se aponte pesquisas e mais pesquisas, e por elas se tente também mudar a mentalidade para uma suposta atitude "moderna", indicando que há um certo número de infidelidade e troca de parceiro, ainda sim o preservativo permanece com o seu fator de risco de falha elevado.
Portanto, precisamos pensar numa mudança de comportamento. Incentivar o sexo desde da adolescência - o que já é um problema legal, pois muitos adolescentes querem cada vez mais ter relações com adultos - e promover a sexualidade simplismente como um produto de consumo só contribui para aumentar a probabilidade de risco, mesmo usando preservativos.
Uma outra ideia equivocada, veiculada por muitos em nosso país e no mundo, foi aqui expressada: o sexo para a Igreja seria só para procriação. Gostaria de terminar esta postagem sugerindo mais leitura e aprofundamento. Há todo um trabalho chamado "teologia do corpo" - na linha de uma sacralidade do corpo - de João Paulo II, mas também de outros autores, como por exemplo Christopher West, que mostra precisamente o quanto o sexo é integrado na realização do homem, como uma linguagem privilegiada de comunicação e doação entre duas pessoas, não somente como objeto de prazer um do outro, mas de abertura e responsabilidade de um para com o outro.
Quem sabe todas estas questões e estas fontes não poderiam ser levadas para a reunião nacional. Pois como querer agir sobre bases desprovidas de um séria reflexão? Este é o papel de uma verdadeira ética. Não podemos pretender dar soluções rápidas e "mágicas" no campo da ação sem um reflexão que assuma outras posições que questionam o que parece ser óbvio para muitos. Tais posições não saltam aos olhos a partir da Bíblia, mas são fruto da fé que pensa e pensa segundo os desafios para o homem de nosso tempo.
Bom trabalho
exercício da sexualidade
Prezado Rafael e tod@s,
Primeiro, gostaria de apontar que a sexualidade na adolescência e juventude acontece independentemente dos discursos da mídia e outros discursos que pareçam "promover" ou "reprimir" o sexo... O papel das políticas em saúde e dos adultos responsáveis pela socialização desses jovens deve implicar em se lançar mão de mecanismos que possibilitem que essa sexualidade seja vivida com autonomia e responsabilidade.
Não há um único projeto de vida para conjugalidade entre os jovens...assim como não há um único modo de viver a religiosidade cristã.
Em relação a sua colocação, copiada abaixo:
" Acredito que todos os cristãos continuarão propondo este caminho como um caminho de realização plena. E se todos os meios de comunicação, que hoje não somente formam mas imprimem esta ou aquela opinião, realizassem uma grande publicidade em favor da fidelidade e da castidade, certamente poderíamos chegar a resultados como aqueles alcançados em alguns países da África, como por exemplo em Uganda."
Reafirmo aquilo que escrevi a pouco: há distintas formas de viver a crença religiosa de escolha, o que significa dizer que há cristãos e cristãs que não acreditam na fidelidade e na castidade!!! Se os meios de comunicação fizessem campanha sobre isso massivamente, estaríamos vivendo uma situação na qual se veicularia uma moralidade religiosa e não informações para saúde sexual e reprodutiva. E, como já escrevi anteriormente, os artigos científicos que falam do sucesso da abstinência e fidelidade em Uganda são também parciais. A prevalência diminuiu naquele país pelo alto grau da mortalidade provocado pela aids... Apesar da presença massiva de uma ideologia cristã em Uganda, alguns modos "tradicionais" de viver a sexualidade (poligamia, pra citar apenas um) se combinam com esses e outros. Há dinamismo nas culturas, não cabendo um único discurso "massivo". Não existe uma fórmula "mágica", como você mesmo colocou, e isso se aplica especialmente para essa estratégia de prevenção.
Imagino que o caminho seja o diálogo, sem tentar impor nenhum modo de pensar em detrimento de outros, lembrando e primando pela laicidade do Estado. Temos que trabalhar para que jovens e adolescentes tenham acesso a informação, sejam reconhecidos como sujeitos de direitos (inclusive sujeitos de direito da sua sexualidade) e que possam ter acesso a meios que permitam que suas escolhas sejam responsáveis. Isso não é incentivar o sexo.
Creio que este espaço de debate deve ser um exemplo de ação para que haja diálogo entre modos distintos de ver a sexualidade e para que se possa "combinar" ações que levem em conta a diversidade e que prime pela autonomia.
Por fim, gostaria de reforçar o que o moderador já pediu: opiniões sobre o trabalho do GT Religiões de São Paulo e postagem de relatos acerca de outras iniciativas que se estruturaram no país (acho que Pernambudo e Rio Grande do Sul...)
Abraços a tod@s
Cristiane Gonçalves
Cristiane Gonçalves
+ 258 829895448
exercício da sexualidade com responsabilidade
Prezada Cristiane e todos,
Espero que esta confrontação de ideias possa nos ajudar a todos a chegar a algo que a sr. aponta como sendo, de fato, nosso objetivo: vivência da sexualidade com autonomia e responsabilidade.
Muitas questões poderiam ser levantadas no seu texto, mas gostaria de lhe perguntar sobre a afirmação contida logo no início: vc acredita mesmo que a sexualidade na juventude acontece independentemente de um discurso que "promova" ou "reprima" o sexo? Então poderíamos afirmar que os discursos de maio de 68 e aqueles subsequentes a esta data, em sua apologia, são puras falácias? Apesar de não gostarmos da afirmação "no meu tempo não era assim", será que as pessoas idosas não teriam algo a nos dizer a este respeito?
Ligado a esta questão da informação, da mídia ou outros meios utilizados para uma campanha, será que não estamos fazendo o que a sr. mesma desaprova no seu texto, ou seja, uma campanha com um único discurso "massivo" do "sexo seguro"?
Neste sentido, a questão da propaganda pela fidelidade e abstinência em Uganda é fundada num dado que a sr. deixou de fora quando reage ao meu texto: o percentual real de eficácia dos preservativos no combate a AIDS e as DST . Tal dado, que aqui em nenhum momento foi suficientemente debatido, coloca o discurso da fidelidade, vindo ou não da religião, como uma via alternativa para o combate às doenças.
Por isso deixo-lhes, mais uma vez o trabalho acadêmico de J. Suaudeau como uma referência e um indicação para abrir o debate neste sentido. Se for difícil adquiri-lo, posso copiá-lo para quem o desejar.
Termino dizendo que poderíamos também falar muito sobre o que é realmente autonomia sexual, mas a minha pergunta é referente à responsabilidade. Como propor em nossos programas um meio que apresenta cerca de mais de 20 por cento de ineficácia aos nossos jovens e adultos? Como fazer uma campanha "massiva" a aproximadamente 20 anos, sem reconhecer as grandes e infelizes surpresas nos resultados que se espera alcançar? Qual é realmente esta responsabilildade que passamos aos jovens para serem sujeitos de direito?
Bom trabalho!
resultados no Brasil
Olá Rafael,
não tenho dúvida que o debate democrático, onde podemos expor idéias (que aparentemente se confrontam), contribui para definições de políticas. Acho que essa é a proposta do PNacional de DST/HIV.
Confesso que não entendi sua colocação sobre Maio de 68...e acho que meu papel no debate é apenas pontuar que entendo adolescência e juventudo como um processo no qual são iniciadas as trajetórias afetivo-sexuais para a maioria das pessoas. A forma como se inicia varia, de acordo com contexto e modos de ver o mundo.Pode ser numa união precoce, no casamento ou nunca começar no plano concreto, mas se dá no nível das idéias e dos desejos... Há vários estudos sobre sexualidade entre jovens e adolescentes no Brasil.
Preservativo e abstinência são estratégias possíveis.
Não concordo com a ênfase na falha do preservativo como vem sugerindo nas suas colocações ou como vem sendo divulgado por algumas pessoas e instituições religiosas. Por que escolher essa via para educação em saúde? O Brasil é o exemplo concreto de que a divulgação e acesso ampliado a preservativos colaborou para estabilizar a epidemia. Por que temos que enfocar a falha, se podemos valorizar o que foi eficaz? Sabemos que as falhas estão associadas ao mal uso...
É possível a combinação de orientações em prevenção. Não só possível, como necessária. As orientações, entretanto, não podem estar baseadas em moralidades religiosas e devem considerar o desejo e o contexto de vida das pessoas.
Bom debate e trabalho para tod@s nós
Cristiane Gonçalves
Moral e laicidade
Prezada Cristiane,
Não se trata de querer, custe o que custar, dar ênfase às probabilidades de falhas do preservativo, mas sim de não negligenciar estas quando o assunto é transmitir uma mensagem que pretende anunciar um "sexo seguro". E como negligenciar dados que são fundados a partir de pesquisas que não são fruto de um moralismo religioso, mas sim de pesquisadores religiosos gabaritados para tanto? Estamos, mais uma vez, no nível da responsabilidade na educação sexual. E tal responsabilidade é de todos, religiosos ou não, pois todos são cidadãos e vivem numa sociedade na qual também têm direitos e deveres.
Em algumas de suas postagens a sra indica a noção de laicidade como sendo um fator de total independência do estado em relação à religião. Não há dúvidas sobre isto. Porém, gostaria de, primeiro, sugerir-lhe de ler as últimas intervenções do sr. Nicolas Sarkosy sobre o assunto. Penso que estamos num país demasiadamente anti-clerical, nutrindo nos meios da educação à nível superior e da opinião pública um série de a priori's, herança de um laicismo françês deveras totalitário, até à violência, cuja memória é apagada dos livros de história tanto lá quanto aqui... - . Um desses a priori's é o que a sra apresenta no final de sua última postagem.
Onde há comportamento, há também moral ou ética, se preferir. Poder-se-ia inferir , justamente, numa campanha que não leva em consideração os perigos reais decorrentes das falhas do preservativo, que isto sim é um moralismo. Ou seja, motivar um comportamento, mesmo que seja em prol de um bem, sem propor uma real reflexão sobre tal comportamento.
Ora, não preciso dizer que dentro das religiões não se fala de outra coisa senão de comportamento. Aliás, muitos os louvam quando estes são de ordem social ou ecológica, e ninguém aparece para afirmar os "princípios" laicos de nosso país... Do mesmo modo, há comportamentos que se referem à vida familiar, afetiva e sexual. Os membros de uma religião vão, a partir da mensagem e da reflexão que esta venha a desenvolver, procurar ter, caso assim o desejem, certos comportamentos que percebam ser valores para sua vida. E como membros de uma sociedade - contribuintes! - vão pedir respeito e diálogo a esta, sem se sentirem constragidos a seguir esta ou aquela posição, mesmo que seja uma decisão do estado. Isto sim é laicidade! Não há como fazer abstração do pensamento religioso, ou, pior ainda, tentar convencer, quase que ao geito totalitário-ideológico, sobre posições que para muitos precisam ser mais esclarecidas e confrontadas com outras.
Todavia, parece-me que se poderia, de fato, aprofundar a ideia de combinação. Neste sentido, por que não o tipo de campanha "A-B-C" empregada na África? "A" para abstinência, "B" que diz be faithfull , para fidelidade e "C" para "camisinha". De antemão, é preciso dizer que este programa não é um programa "batizado e sacramentado" por nenhuma religião cristã! Talvez ele se apresente como uma sorte de confluência de princípios de ação, para que o caminho do aprofundamento da questão não pare.
Bom domingo,
Rafael
Conhecer melhor as posições
Rafael e demais colegas: quanto as postagens, de fato o sistema por vezes é lento, o que leva as pessoas a postarem mais de uma vez. Sem problemas, deixei a maioria delas, porque por vezes se apago, com elas se apagam também alguns dos comentários a elas agregados, o que seria uma perda para nosso debate. Há muitas questões frutíferas para discutir a partir da longa postagem do Rafael. Escolho apenas uma: conhecer melhor as posições das igrejas, e todas as suas consequências, e então estabelecer um diálogo com as políticas públicas de saúde.
Religião
Um bom estrategista sabe a hora de avançar e a hora de recuar. Respeitar os dogmas da Igreja é de bom senso, mas com sensibilidade e tato para apontar as vulnerabilidades da população independente da religião, pensando junto com cada igreja as estratégias de intervençãopara seu rebanho. Acredito no equilíbrio. Aqui em Ribeirão já reunimos com diferentes igrejas para discutir qual a melhor estratégia e sem dúvida nenhuma a parceria foi fundamental.
Saber mais de Ribeirão Preto
Fátima e colegas de debate: gostei muito dessa afirmação acerca da estratégia, respeitar os dogmas das igrejas, mas mostrar as situaçoes de vulnerabilidade, e sentar para conversar, e buscar uma saída. Eu gostaria muito de ter um relato mais detalhado da experiência em Ribeirão Preto, para compartilhar com os colegas.
limites e alcances da religião no combate à epidemia
Prezad@s participantes, bom dia!
Quando estamos falando de prevenção e religião enquanto uma "aliança" estratégica para o combate da epidemia temos que debater (pública e democraticamente) sobre vários pontos:
1) Sem dúvida, um ponto inicial, é aprender e refletir a partir das experiências existentes (foram citadas instituições como Koinonia e Pastoral). Gostaria de destacar o GRUPO DE TRABALHO DE RELIGIÕES E AIDS que se organizou em São Paulo, a partir do Programa Estadual de DST/Aids; tenho certeza que há pessoas do GT que estão participando desta sala que poderão apresentar detalhes importantes para este debate;
2) Temos que considerar que a religião, enquanto instituição, tem dogmas e regras morais que entram diretamente em conflito com os direitos sexuais (destaque para a condenação de orientações sexuais não hetero) e com os direitos reprodutivos (uso de preservativo, aborto); no nosso país, as Igrejas Cristãs assumem a dianteira nesse aspecto; no Brasil, as políticas de prevenção estão pautadas pela luta no campo dos direitos sexuais e reprodutivos... Como pensar, então, em políticas e parcerias considerando essa realidade? Qual flexibilidade possível nesse diálogo? De qual das partes envolvidas?
3) Sabe-se que há uma diferença importante entre religião (institucionalizada) e religiosidade; esta é uma experiência do sujeito que pode "superar" as limitações impostas pela religião de escolha (mulheres católicas que usam contracepção, gays e lésbicas evangélicos etc etc); imagino que promover o debate em cima da autonomia dos sujeitos, apesar das moralidades institucionais, pode ser mais produtivo do que estabelecer conflitos com "o papa", "a Igreja".
4) Um outro ponto sensível é a laicidade do Estado; sobre isso se deve refletir quando se trata de financiamentos públicos para ações promovidas por comunidades religiosas; para se implantar uma política pública nesta perspectiva, este ponto deve ser aprofundado e debatido.
Além disso, gostaria de enfatizar que em um país como o nosso, onde o campo do religioso é tão importante, estruturante e polissêmico, o debate sobre prevenção e religião é essencial. Aproveito para informar que estamos no quarto ano da pesquisa "Respostas Religiosas ao HIV/Aids no Brasil" (Universidade da Columbia, ABIA, NEPAIDS/USP, UFPE) e que temos publicado alguns ensaios parciais sobre os resultados, a partir dos dados coletados (em São Paulo, Rio, Recife, Porto Alegre e Brasília). O produto desta iniciativa será debatido com atores importantes. Oportunamente isto será divulgado, mas imagino que será no próximo ano.
Outro comentário geral, aproveitando minha experiência atual em África, acerca da estratégia predileta (derivada da moralidade cristã evangélica "tradicional"), o famoso ABC, é que este é um discurso "fantasioso" para algumas culturas africanas e, portanto, uma estratégia inócua. Em relação à experiência de Uganda, que muitos citam, é importante lembrar que a prevelência diminuiu porque as pessoas morreram.... Aqui em Moçambique também se investe no ABC, mas a epidemia continua alta entre jovens (mulheres, especialmente) porque o exercício da sexualidade ocorre cedo, com múltiplas parcerias e num contexto de pobreza e desigualdade de gênero. Não vejo possibilidade de trabalhar com contextos de vulnerabilidade com a estratégia do ABC. E, pior ainda, quando ela deixa de ser apenas discurso de instituições religiosas e passa a ser política governamental...
Bem, por hora, é isso! Bom debate para nós!
Cristiane Gonçalves
Prevenção e Religião:contribuições
09/04
Boa tarde!
O meu nome é Paula e sou coordenadora do Grupo de Trabalho Religiões.
O Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo tem como uma de suas estratégias de prevenção o Grupo de Trabalho Religiões que é formado por religiosos, representantes da Secretaria de Estado da Saúde/ Coordenação Estadual de DST/Aids, Programas Municipais de DST/Aids, ONGs que desenvolvem trabalhos com grupos religiosos, e membros da sociedade civil com especial interesse no tema.
Nosso trabalho tem como objetivo ampliar o acesso à informação e aos serviços de prevenção e assistência as DST/Aids da sociedade em geral. Partimos do conhecimento que os diversos grupos de Tradições e Religiões possuem para através de troca de saberes e experiências, tentar reduzir a exposição ao grau de vulnerabilidade ao HIV-Aids de suas comunidades, discutindo caminhos que levem á modificações de comportamento.
Desde 2002 estamos propondo e efetivando estratégias de prevenção junto a grupos religiosos respeitando seus valores, crenças e saberes.
No trabalho que vem sendo desenvolvido com religiosos abordamos questões de seu interesse : jovens, mulheres, pré-natal. Com a participação no grupo algumas pessoas desenvolveram interesse para a questão da diversidade sexual, redução de danos, etc.
O que observo muitas vezes é uma expectativa de que grupos religiosos trabalhem com questões que são de obrigação dos órgãos governamentais. Os religiosos não tem essa obrigação. As OGs tem que desenvolver ações para as diversas populações atingidas pela epidemia. Muitos grupos tem feito ações importantes de prevenção dentro de suas possibilidades.
O mais importante, a meu ver, é iniciar dando a resposta que o grupo veio buscar e construir de forma conjunta o trabalho a ser desenvolvido respeitando os saberes.
Já houve reuniões do grupo com foco no pré-natal. Há grupos religiosos que possuem trabalho com gestantes e ampliaram suas informações para DST/Aids e pré-natal.Isto também é prevenção.A transmissão vertical da sífilis e do HIV é uma questão importante.
Há grupos religiosos que fazem oficinas porque sabem que pode ocorrer sexo e fora do casamento e acham importante que as pessoas estejam informadas. As lideranças também querem se informar porque são depositárias de muitos segredos e sentem necessidade de adquir maiores informações e terem com quem discutir suas situações dilemáticas.
Na medida que estes grupos passam a fazer ações em DST/Aids e freqüentar o GT começam a ter acesso a outros espaços de discussões. Podem participar de congressos, ser convidados para outras discussões e desta forma trabalhar seus preconceitos e receios.Parte destas pessoas querem mais informações sobre o universo do portador, sobre o que significa GLBTT, questões ligadas a raça/etnia etc.
No GT, quem tem este tipo de questão, é auxiliado a se aproximar dos movimentos sociais ligados a essas questões para terem um ambiente propício para colocar e discutir suas dúvidas .
Por exemplo, a questão da diversidade sexual. Parte do grupo tem interesse neste tema.Já fizemos uma discussão interna com o CORSA, onde os grupos religiosos também trouxeram informações sobre discussões feitas em suas redes sobre o tema. No ano seguinte chegaram a propor uma oficina e discutiram a programação e várias questões ligadas ao universo religião e diversidade sexual. Posteriormente acharam que precisavam de maior aproximação com o movimento GLBTT antes de fazer alguma ação. E assim as questões vão caminhando.
Gostaria também de dizer que muitos participantes do grupo vem de trabalho social anterior:Movimentos Eclesiais de Base, trabalho com Direitos Humanos ( desde os tempos da ditadura), Movimento Negro. Nesta trajetória participam de outras Redes que já discutem temas de nosso interesse.
Acho muito importante o relato de experiência. Acredito que no decorrer da conversa outras pessoas do grupo possam fazer relatos interessantes.
O GT religiões de São Paulo
Paula e colegas: gostaria muito de escutar (ou melhor, ler) as opiniões dos colegas da sala sobre a experiência do GT Aids e Religião de São Paulo, certamente o trabalho mais longo no Brasil acerca do tema, e do qual se podem tirar muitas lições. Reforço a opinião de outra colega desta sala: o diálogo entre políticas públicas de prevenção em Aids e os valores morais das confissões religiosas precisa de tempo e persistência para produzir frutos.
Dos muitos modos de dialogar política pública e religião
Cristiane e colegas do nosso debate sobre aids e religião: há muitos pontos importantes para discutir na postagem da colega Cristiane. Especialmente quando ela narra experiências em andamento, experiências já acontecidas entre nós. Gostaria muito de saber, dos demais participantes, sobre experiências de trabalho conjunto entre instituições governamentais de saúde, em especial de aids, e grupos religiosos, para o enfrentamento da epidemia.
Também acho muito importante que discutamos duas coisas: a posição oficial dos líderes das religiões, e as atitudes dos fiéis, que são religiosos, mas vivem sua religiosidade com algumas diferenças em relaçao aquilo que os líderes pregam.
Religião e AIDS
Tenho enfrentado esse problema em meu local de trabalho: uma UBS em Diadema, SP - os agentes comunitários de saúde são evangélicos em sua grande maioria e com muita dificuldade em trabalhar temas ligados a sexualidade... Primeiramente tenho buscado OUVI-LOS: que dificuldade é esta? onde é que está o problema? depois quero entrar neste discurso, tendo em conta que a dimensão da religiosidade é intrínseca, precisamos aprender a trabalhar COM ela, tanto nos agentes de saúde, como da população - esta população mais religiosa reage muito mal às campanhas do Ministério que dizem "use camisinha e faça o que quiser" - eles SABEM que não é bem assim, que A PREVENÇÃO É MUITO MAIS... E esse "muito mais" precisa ser buscado na prática, precisamos sair da teoria, do debate intelectual e partir para a realidade da vida... Aí é que está a grande dificuldade: como dar esse "pulo do gato"? Não existe receita de bolo... É preciso adequar às realidades em que vivemos, sem esquecer que religiosidade e sexualidade são aspectos da vida das pessoas que não podem ser desconsiderados... Voltando à minha experiência: a idéia é construir com elas (as agentes) esse olhar do "cristão agente de saúde" sobre a realidade do mundo atual... Não precisam negar seus valores pessoais, mas não podem impor que todos pensem da mesma forma: O que é possível fazer, na perspectiva delas, com o objetivo de diminuir o avanço da epidemia? Não posso negar que objetivo propor um Processo Educativo: partindo da realidade, levando em consideração o ideal que elas possuem (sem NEGÁ-LOS... Nenhuma estratégia pode ser eficaz se não leva a sério esse dimensão tão forte na vida do brasileiro!)... De que forma adequar a nossa atividade de prevenção? Partir da realidade: num primeiro momento propor o preservativo para proteger a vida, mas refletir sobre sexualidade... Como ela é melhor vivida? Como a pessoa na minha frente objetiva vivê-la? Dentro dessa realidade: o que podemos fazer para ajudá-la a viver essa sexualidade de forma integrada, plena, segura, que a faça viver mais e melhor? É um trabalho em curso de execução... Se tiverem idéias, contribuições estou mais do que aberta a recebê-las... Senti-me obrigada a responder a este problema, essas agentes estavam a um passo de serem despedidas de seus trabalhos pela impossibilidade de contribuirem de forma eficaz... É um desafio bastante interessante! Parabéns pela iniciativa deste Forum... É muito bom poder dialogar com profissionais de diferentes locais do país sobre nossas dificuldades cotidianas... Com carinho, Mônica
Levar em conta o pertencimento religioso nas propagandas
Mônica e colegas: a posição da Mônica foi bem "enérgica", e eu queria aproveitar para estimular o debate de um ponto que ela levanta, e que considero crucial: será que não devemos assumir mais claramente nas propagandas de prevenção à aids que a religião é uma dimensão muito forte na vida dos brasileiros? Quais as consequências disso para as campanhas de prevenção?
Há uma outra questão levantada pela Mõnica que acho vale a pena ser aprofundada: será que algumas propagandas feitas pelo Estado e por muitas ONGS, que afirmam que se pode fazer sexo com quem quiser e a hora que quiser, basta usar camisinha, não ofendem muitas pessoas?
Gostaria muito de ouvir mais opiniões acerca desses dois tópicos.
distintos discursos podem se encontrar?
Olá novamente!
Vamos seguir nosso debate...
Primeiro, gostaria de chamar atenção para as colocações feitas por Mônica em relação ao trabalho dos agentes comunitários, que têm dificuldades de desenvolver o trabalho de prevenção (tal como temos feito até o momento) por conta de suas crenças religiosas. Ora, eles fazem tal qual os juízes que tomam decisões baseados (por vezes citanto) na bíblia, os deputados que se manifestam contra determinados projetos de lei (união civil homoafetiva) alegando as leis divinas... ESSE É UM PONTO CRUCIAL: ninguém pode tomar decisões ou ter atitudes no campo das políticas públicas baseados em suas crenças religiosas. Todas as pessoas devem saber o que significa Estado laico e ter consciência disso... para que seja garantida a liberdade de consciência. Creio que seja muito complicado, na prática, discutir com esses agentes e fazê-los compreender que suas crenças não podem se sobrepor ao trabalho... mas também acho que é possível tentar conversar sobre isso, partindo de exemplos concretos.
De certa forma, este ponto também está ligado ao que perguntou nosso moderador: campanhas devem considerar a religião das pessoas? Num país de tamanha diversidade religiosa, isso é bem complexo. Claro, as políticas devem considerar que religião é uma dimensão importante e que compartilhar de determinada fé pode implicar em orientações específicas, em termos de prevenção da aids. Por exemplo, para determinados segmentos evangélicos pentecostais, o sexo só é sagrado (para incorporar um outro aspecto do debate) quando praticado dentro do casamento. E, no casamento, o uso de contracepção é recomendada....Mas isso não quer dizer que todos os evangélicos pentecostais só praticam sexo assim...
É muito difícil estabelecer um único parâmetro de ação, mas é possível ao Estado, promover debate ampliado sobre esse campo, a partir do que pensam os fiéis e não a partir do que professam as religiões institucionalizadas. O debate em torno da liberdade de consciência, da democracia, da saúde pública e dos direitos.
Aproveito, ainda, para solicitar que sejam apresentados e debatidos os exemplos concretos na parceria religião e prevenção para que tenhamos mais conteúdo para debate.
Saudações,
Cristiane Gonçalves
Estado laico
Cristiane e colegas: gostaria de enfatizar que um tema muito importante nessa discussão é o do Estado Laico, de uma adequada compreensão do que significa dizer que o Estado Brasileiro é laico, princípio constitucional inclusive. Proponho que reflitamos a partir da afirmação da Cristiane: ESSE É UM PONTO CRUCIAL: ninguém pode tomar decisões ou ter atitudes no campo das políticas públicas baseados em suas crenças religiosas. Todas as pessoas devem saber o que significa Estado laico e ter consciência disso.
Propagandas não ofensivas
Não acredito que as propragandas sobre o uso da camisinha ofendam as pessoas. Em alguns momentos chocam, prendem a atenção, até assustam alguns conservadores. Contudo a estratégia de marketing talvez seja exatamente esta, chamar a atenção de que a liberdade pelas escolhas sexuais, são direitos sexuais e fazem parte do rol de outros direitos humanos. Em muitos momentos históricos, é preciso haver ações enérgicas, para que a população se manifeste sobre aquele assunto. Mesmo que algumas pessoas não gostem, ou mesmo que venham a se sentir ofendidas, irão falar sobre o tema, debater, conversar, expor opiniões positivas ou negativas, mas é através do diálogo, da dialética que a problemática da AIDS pode ser aprimorada, vivenciada. Dificilmente uma propaganda que fale sobre sexualidade irá agradar todos os praticantes de todas as religiões, principalmente os adeptos das religiões neopentencostais, mas a beleza do discurso e destas propagandas é que elas quebram silêncios sepulcrais. Ou seja, não se podia falar de sexo, camisinha, homoerotismo publicamente; agora se fala disto, de formas diversas; Querer encontrar um discurso certo ou errado, é aprisionar o discurso e a capacidade transformadora e inovadora da liguagem.
Liberdade de discussão
Jurema e colegas: em várias postagens, nesta sala e em outras do fórum, enfatiza-se a liberdade de expressão, o ambiente democrático de discussão, e o respeito aos valores do direitos humanos. Convido todos a refletirem sobre as implicações disso na discussão da prevenção, a partir de um trecho da postagem da Jurema: "Querer encontrar um discurso certo ou errado, é aprisionar o discurso e a capacidade transformadora e inovadora da linguagem."
religiosidade e aids
Pensar em um debate onde tentamos aproximar nossa amorosidade/sexulaidade de nossa Espiritualidade com um grupo tão rico e multiforme é muito EXCITANTE!!!!! Só a título de informação: em algumas religiões ou práticas orientais o sexo figura como forma privilegiada de acesso a Deus. É uma história muito mágica pensar em encontrar-me com Deus através do sexo e com a exclusividade de estar bem acompanhado e entre "quatro paredes". Desejo que as religiões, os religiosos e os não religiosos valorizem e promovam em primeiro lugar a vida plena e abundante: plena de sentido, de autonomia, de poder pessoal, de responsabilidade social, de prazer e amor verdadeiro. Se isso algum dia poder ser uma realidade viva, o debate/conflito sobre o uso ou não do preservativo não ocupará lugar algum. Quando no debate tematizamos que os íncides de ocorrência de HIV aumentam ou diminuem em decorrência de múltiplos fatores e não somente pelo uso e/ou distribuição de preservativos fico feliz, pois percebo e compreendo que a realidade é complexa mesmo. Mas não consigo deixar de ficar incomodado quando penso que, por interesse próprio, algum grupo utiliza esta complexidade como forma de direcionar e moldar atitudes e comportamentos negligenciando o valor e a vulnerabilidade da vida. Desejo que quaisquer instituições (religiosas ou não) promovam e vivenciem na carne valores como a fidelidade (a si mesmo em primeiro lugar, pois como só podemos dar o que temos, se não formos fiéis verdadeiramente a nós mesmo não poderemos ser fiéis a ninguém), o amor, a verdade, a responsabilidade, a compaixão etc e tal, mas que não se posicionem contra o uso de preservativos, pois este é, no mínimo, um grande aliado no combate a alarmante progressão dos índices de contágio pelo HIV. Imagino que com o lugar que ocupamos no mundo vem uma medida exata de responsabilidade "Kármica" e por isso mesmo não desejo estar na pele de nenhum político corrupto ou lider religioso equivocado,
Paz e bem para todos
Sidney M. Rodrigues
Psicólogo CTA/SAE
Maracanaú-CE
O sexo como elemento sagrado
Sidney e colegas: se assumirmos o sexo como elemento central em todas as religiões, e como elemento sagrado, que consequências isso traz para as políticas de saúde? O que é exatamente dizer que algo é "sagrado"?
religiosidade e aids
Bem, não tive intenção alguma de colocar o sexo como eixo central de qualquer manifestação religiosa e nem tampouco sugeri que isso seja uma realidade próxima para nós. Se deixei dúvidas quanto a isso desejo dissipa-las. Quando faço referência a outras formas de lidar com o sexo e faço um contraste com o que vivemos, de forma geral, falando da sacralização da vivência amorosa/sexual apenas desejo relativizar nossas referências culturais. Sacralizar o sexo entre outras coisas poderia significar o oposto da banalização promovida hoje através dos meios de comunicação de massa, onde as pessoas são vistas como objetos de consumo: bundas maravilhosas, coxas estonteantes, seios suculentos, etc e tal. Sacralizar pode ser entendido como não banalizar a própria vida afetiva/sexual. será que ficou mais claro? o termo é tão absurdo assim? pensei que estivesse contextualizado na sala de religiosidade. Com relação a pergunta a respeito das consequências para as políticas públicas... confesso que não pensei, mas aceito reflexões
um abraço fraterno
paz e bem para tod@s
sidney
Sexo: Sacralização x Banalização e contribuições para Sáude Públ
Prezado Moderador,
Achei de grande relevância e feliz a leitura que Sidney fez na relação "sexo: sacralizaçao x banalização" no bojo da discussão sobre prevenção e religião onde questões sobre o que é banal e o que é sagrado sempre são suscitadas, respectivamente (ou de forma mista) e é claro que o sexo sempre aparece nesses discursos. Assim, acredito que se "sexo, sacralização, banalização" são termos amplamente utilizados neste universo e se considerarmos que as políticas públicas de saúde devem ser contextualizadas devemos utilizar estas concepções no momento de pensar tais políticas. Ora, se do ponto de vista religioso um dos argumentos para não se reomendar o uso do preservativo esta relacionado com a fato de que o sexo se tornará banal, há que se discutir este ponto de vista e pontuar, inclusive, em situações em que não havia comportamento promíscuo e ocorreu a transmissão do HIV... Ou mesmo para discutir num outro viés, de pensar o sexo não como "coisa feia", mas saudável /importante/prazeroso e que, portanto merece cuidados.
Outra questão é que se adolescentes e jovens são segmentos vulneráveis à infecção pelo HIV e outras DST devido, dentre outros motivos, à imaturidade para perceber-se em situações de risco, como alvo constante de imposição de valores e comportamentos pela própria sociedade , porque não se discutir sobre banalização/falta de respeito nas relações interpessoais que levam, muitas vezes o(a) adolescente relacionar-se sexualemente por pressão do(a) parceiro(a) que o(a) ameaça de procurar outra pessoa para manter relações e se relacionar afetivamente?
Acredito que para chegarmos a propostas interessantes para a prevenção às DST/Aids no contexto da discussão entre religiosos, temos de nos apropriar dos elementos que são colocados como justificativas para não recomendar o uso do preservativo a fim de identificar que outrs alternativas podem existir para o enfrentamento da epidemia já que o grande objetivo é evitar novas infecções (ou reinfecções).
Riksberg Cabral
Gerência Programa DST/Aids - Maracanaú/CE
Conhecer melhor as posições para melhor colaborar
Riksberg e colegas: muito produtiva a discussão sobre o valor do sexo, ou das modalidades de sagrado que o sexo pode ser. São valores religiosos a serem respeitados. E para isso fica a provocação feita pelo Riksberg: "Acredito que para chegarmos a propostas interessantes para a prevenção às DST/Aids no contexto da discussão entre religiosos, temos de nos apropriar dos elementos que são colocados como justificativas para não recomendar o uso do preservativo a fim de identificar que outrs alternativas podem existir para o enfrentamento da epidemia já que o grande objetivo é evitar novas infecções (ou reinfecções)."